quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Sem resposta

Não há paz que persista
Quando à vontade, se reprime
É melhor aproximar-se do desconhecido
A correr o risco de perdê-la

Caminhar no escuro
Orientando-se pelo som do pensamento
Pela confusa intuição
E a oportunidade do momento

É preciso estar atento
Para não perder o rumo
Nem esconder-se de si mesmo
Maior traição

A Paz

Uma íntima reflexão
Revolução de ideias
Multicoloridas
Verdadeira integração

A brisa fresca
Num dia quente
Simples solução

Uma resposta certa
Que se espera
Ou uma negação…
… que liberta

Paz não é ausência nem calma
É uma enchente de sentimentos
De boas intenções, energias
Um estado da alma

É ter coragem de seguir
Mesmo enxergando obstáculos
Sem medo de errar
Poder decidir

Viver a paz
É viver o amor
Perceber no que a vida traz
O seu valor

Não se conformar
Diante da imposição
Usar a imaginação
Transformar

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Encantos


Que prazer
Encontrar todos os encantos
Que encantam meus cantos
Em tão pouco tempo
Que até o tempo se perdeu

E o tempo correu
Em torno de si mesmo
Abandonou a noção de seu eu 
Por uma eternidade

E a sensação que me deu
Nada vai mudar
Se infiltrou em minha alma
E contaminou a emoção

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

O sentido

O amor é tudo
Nada teria sentido se não tivéssemos a capacidade de amar
Amar além....

Amar vai além de gostar
Além de querer
Além de desejar

Amar é parar o tempo
Para só ter...
... o tempo de amar

Amar é respirar
Absorver o ar
O ar que faz amar

Amar não é um verbo, uma palavra
É um universo
Escrito com emoção

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Perfume

Se eu soubesse exatamente o que é amor
Nunca teria a capacidade de amar
Tal certeza congelaria o fervor
Aniquilando o sentido de se apaixonar

Não teria a chama que incendeia o pensamento
E faz a incerteza preencher cada momento
Espalhando a dúvida, combustível da curiosidade
Impulso violento, antídoto contra a mediocridade

O que somos se sabemos tudo
Seres fechados para o conhecimento
Vendados para as descobertas
Algumas chegam pelo sofrimento

Quero mais deixar o amor me iludir
Ao menos terei sua sensação
Em minha pele como uma doce loção
E o seu cheiro sempre me faz sorrir
O cheiro do amor

sábado, 15 de setembro de 2012

E amar...

E amar... e amar... e amar...
Palavra sem sentido
Mais do que palavra
Sentimento imperfeito

Não se ocupa da forma
Muito menos vê defeito
Carrega o peso
De seu sentido

Não diz nada
A quem não a quer
Sensação inodora
Insípida também

Extrapola os limites da alma
Não há descrição que a assimila
Nem dicionário capaz de explicar
Tão bem o bem que faz senti-la

Frescor

A mente
Porta para o conhecimento
Essência invisível latente
Suporte do sentimento

É preciso mantê-la aberta
A fim de arejar o pensamento
Permitir a troca e a descoberta
Engrenagem de seu funcionamento

Não temer o desconhecido
Estar disposto a aceitar
E, se mesmo vencido
Permitir ao novo entrar

Misturando vontade e sensação
Desordenadamente em disparada
Como a multidão
Em correria desenfreada

E nessa bagunça, é o que sabemos
Somos feitos de informação
E a maneira como a recebemos
Constrói nossa visão

Constelação

Vejo vários pontos brilhantes
Nesse chão estrelado
Todos representam ao menos um sentimento distante
A ser compartilhado

Que surpresa
Diante da imensidão
Fui repousar no meio desta beleza
Repleto de satisfação

Dentre tantos, sós
Cada qual em seu universo restrito
A diferença quem faz somos nós
Unidos iluminando o infinito

Essa luz que não finda
É o reflexo do que não se pode apagar
Viaja do eterno, mais além ainda
Carregando o sentido de amar

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Nocaute

O amor, simples ensejo
Uma convicção
Amar não é só desejo
Pura libertação

Quando é só o que há a oferecer
Feliz de quem puder aceitar
É preciso além de entender
Querer acreditar

É preciso a mente livre
Ultrapassando barreiras
E um olhar curioso
Que supere a cegueira

Enxergar além da vontade
Além de si mesmo, digerir o orgulho
Assumir nossa verdade
Mesmo que ela nos dê um murro

Se sobreviver...
...esse é... o amor

domingo, 12 de agosto de 2012

Ilusão

O olhar não revela a visão
E sim, quem a procura
Desmascarado com a ilusão
Disfarçado pela loucura

Trai sua própria verdade
Convicta e frágil imagem
Concebida com a vaidade
Da mente... auto-sabotagem

Um cego devaneio de insanidade
Obscurecendo a nitidez
De uma límpida realidade
Na felicidade da lucidez

terça-feira, 7 de agosto de 2012

Saudade

Não se espante se um dia
Ao dormir ou sonhar
A luz da noite imprimir
A saudade em seu olhar...

Nenhum amor se perde assim
Sem experimentar a dor
De chegar ao fim
E enfim... aceitar

Mas o amor... não acaba
E sim, uma história
Por mais que se encerre
Fica na memória

Como uma boa lembrança
Do que não deve mais voltar
E a esperança
Perpetua o amar


domingo, 5 de agosto de 2012

Sempre

Ainda continua comigo
Mesmo sem ter agora, motivo
Poderia simplesmente esquecer
Mas não faria sentido, prometer

Se não fosse o bastante
E minha vontade cega, já muito adiante
Não pudesse compreender
Aquilo que a razão não admite

Um desleixado capricho da paixão
Ao tornar eterno, o amor,
Ensina ao coração
Sublimar a dor

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

Ante o amar, só meu
Amando assim
Na ilusão se perdeu
O egoísmo sufocando num nó

Foi-se o ar
E o vácuo não floresce
Cansado de lutar
O amor não padece

Jamais esquece
A forma que molda
O que no amor prevalece

quarta-feira, 25 de julho de 2012

Continuação

Pois amar não é gostar
É uma explosão de euforia
Amar é perder a calma dos sentidos
Que enlouquecidos desatinam a percepção

Amar é confusão
Amar é não ter medo da solidão
Se entregar, desconectar do chão
Amar é vencer a razão

Não importa para onde olhar
Enxergando ou não
A alma dominada pela doce emoção
Da sensação, enebriada com a comoção

Do que só existe na visão
Dos olhos de amar

terça-feira, 24 de julho de 2012

Certeza


Pela clareza do caminho
Não sou eu que o faço, sou tomado
Navego em seus braços
Envolventes, a ponto,
De ser sufocado

Não há respostas certas… erradas...
… não há perguntas… só caminhar
E sem parar, a todo momento
Me acompanha a emoção

Já me basta, viver assim
A cada passo
E em meu peito não há de faltar
Nem em um fragmento de ar
O suspiro do amor

sábado, 21 de julho de 2012

Aos amigos

Quem tem amigos, como eu tenho,
Mesmo os muito distantes
Conta com o privilégio e o orgulho
De viver cercado por pessoas
Que fazem valer a pena passar pela vida
E seguir em frente


Quem tem amigos, como eu tenho
Nunca se sente só, nunca fraqueja
Apesar dos percalços que o destino nos prega
Quem tem amigos, como eu tenho
Possui a alegria presente em tudo que faz


Os amigos são nosso maior bem
Nossa risada nos momentos de descontração
Nosso suporte nos momentos em que falta o chão
A riqueza que não se compra
A beleza que não se mede
A poesia que não se escreve

terça-feira, 17 de julho de 2012

Suspiros

E aquele sonho que não deu certo
Por onde anda...
Será que o perdi
Pois um sonho não morre

Ou ainda está latente
Com a preguiça de quem dorme
Esperando o tempo certo
Tempo que se foi

E os outros todos
Foram para onde
Dissiparam-se como uma lembrança
Tão distante que não existe

Sonhos não acabam, transformam-se
Em pesados fardos que carregamos
Ou belas memórias que nos encantam
A cada suspiro profundo da alma

domingo, 15 de julho de 2012

Estrelas

Olhei para o céu, muito cedo
Vi três estrelas
Me roubaram um segredo
Apesar de apenas... centelhas

Com sua atração
Desviaram meu olhar
O brilho que emitem não permite
Que eu consiga me concentrar

Dissipam minha mente
Em hipóteses tão variáveis
Quanto as distâncias inimagináveis
Que sua luz percorre

E com a mesma velocidade
Meu pensamento se transforma
Misturando sonho e realidade
Até meu universo deforma

domingo, 1 de julho de 2012

Derradeiro

Tento morrer a cada dia
Daquilo que não quero ser
Expulso o desejo e a euforia
Aquela que me faz sofrer

Minha respiração ofegante
Sufoca meus medos profundos
Mas não impede que eu fique diante
De tudo o que me inflige o mundo

E o discernimento
Atordoado busca abrigo
Afasta-se nesse momento
Me expondo ao perigo

Mas se morro, também renasço
Fazendo de cada dia o primeiro
E a cada dia que passo
Passo sofrido... derradeiro

segunda-feira, 25 de junho de 2012

Feixes de Luz

Os feixes de luz
Não mostram mais o que quero
Minha visão não reproduz
A imagem que espero

É a realidade atravessando
Meu sonho e olhar
Estraçalhando a vaidade
Transformando meu pensar

São tantos fragmentos
Se unindo num mosaico
Confuso em meus pensamentos
Num ângulo prosaico

E hoje não querendo
Enxergar o que vejo
Meus olhos temendo
Me roubam o desejo

Oportunidades

Se as oportunidades que temos
Dependem do quanto tentamos
Então errar é um acerto...
... que errando criamos

O resultado pode ser ruim
Distante do esperado
Coragem é ir ao fim
Até que seja amenizado

Acertar é não desistir
Mesmo na dúvida perseverar
Sem saber o que está por vir
Não tentar é perder a chance de acertar

Distância

A marca de uma amizade
Não se desfaz nem com o tempo
Se intensifica quando a saudade
Nos faz recordar de cada momento

É uma impressão tão linda
Fica gravada na memória
Uma sensação que não finda
Inesquecível em nossa história

Só é superada por um reencontro
Em que as emoções novamente unidas
Renovam-se com tamanha força
Que a distância nunca será a despedida

segunda-feira, 18 de junho de 2012

No escuro

Naquele caminho escuro
Ontem, muito chorei
Numa mistura de raiva... mais de felicidade
Por todo ele não me encontrei

Nem as lágrimas serviram para me guiar
Escorrendo por minha face
Não sabiam que rumo tomar
Esperei que secassem

Ficaram confusas, sem saber se enchiam meus olhos de tristeza
Ou se evaporavam em meus lábios cheios de alegria
De toda forma representavam a beleza
De um sonho que sonhei um dia

Desequilíbrio

Não consigo assimilar tudo o que as palavras me proporcionam...
... que seja, pois assim, sempre fica sobrando poesia em minha vida
As ideias circulam por minha mente, e muito mais do que minha voz consegue mostrar, me emocionam
Por isso saio do prumo, não tento me equilibrar

Às vezes vou ao chão, é verdade... mas do mesmo jeito me levanto
Isso me faz ver o que do alto não consigo enxergar
Pois a emoção não tem hora nem local para me mostrar seu encanto
E minha alma não tem portas para impedi-la de entrar

domingo, 17 de junho de 2012

Verdade

A vida se encarrega de nos mostrar a verdade
E nem o tempo a consegue sufocar
Sua voz pode ser tolhida pela maldade
Mas essa, não a pode matar

Estará sempre escondida
Nas contradições do pensamento
E quando menos se espera
Surge com seu argumento

Aniquilando as falsas proposições
A mentira vil e indecente
Exterminando as levianas convicções
E a perversa atitude inocente

Pois a vida prevalece
Não importa tal embuste sorrateiro
Jamais a verdade padece
Viver é ser verdadeiro

sábado, 9 de junho de 2012

Dança, vento

Nem senti o vento, de tão singelo
Simplesmente arrancou do que sei
Tudo o que até hoje acreditei ser belo
E graciosamente, em minha mente, gravei

Ainda agora não consigo crer
Se foi ilusão, não foi, a minha imaginação
Não conseguiria criar sem me perder
De tão sublime minha própria criação

Que deslumbrante visão
Por um momento, tão longo que ainda persiste
Me fez esquecer tudo o que já vi
E acreditar que só ela existe

segunda-feira, 4 de junho de 2012

A mim

Amar é ser livre
É não ter barreiras
Amar é um caminho aberto
Para dedicar-se a alguém

Amar não é dividir
Mas compartilhar
Amar não é reprimir
O amor tem que caminhar

Sentir os aromas do tempo
Ver as cores e não tocar
É estar ao vento
E ainda assim querer voltar

Amar não é temer
Amar não é sofrer
Amar não é depender
Amar é aprender

É ter repleto o pensamento
Com quem se quer amar
Sentir sua presença a todo momento
Deixar a lembrança buscar

O amor tem que ser livre
Para poder se aconchegar
Em outro amor que também vive
Livre para amar

segunda-feira, 21 de maio de 2012

Sereno

Depois da decepção
Imediatamente... no meu tempo pensei...
Não vou simplesmente esquecer
Ou evitar a recordação

Quis me embrenhar na dor
Recordar os momentos... os que realmente vivi
Até que essa sensação
Apontasse os erros que cometi

Busquei reviver
As imagens em minha mente
E ao mesmo tempo... olhar o presente
Sem elas

Tive que sofrer
Como se sofre de verdade
Quando vem a saudade
Não há para onde correr

Abraçando assim a tristeza
Até que virasse beleza
E sorte de viver

Nesse passado... de angústia e arrependimento
Só me restou olhar cada momento
Até perceber que o entendimento
Forma o saber

Estar pronto não é estar seguro
Mas sim, aceitar o desafio
Sabendo que o erro não é o fim...
...só um longo caminho

quinta-feira, 3 de maio de 2012

Um bom retiro

De repente surgiu em seu rosto um sorriso
E também no meu
Só por estar ali naquele momento preciso
E saber que não se perdeu

O que mais gostei
Foi o movimento que provocou
De tão suave... reparei...
O lado para onde balançou

Ficou mais feliz, como eu
Quando a visão dos lábios apertados
Sorrindo em silêncio apareceu
E gritou para quase todos, mesmo calado

segunda-feira, 23 de abril de 2012

A noite escurece o olhar
Aguça o sentido
Esconde o pensar
Faz do medo... um amigo

Tudo se torna discreto
Até a luz se esgueira
Rasteja como um inseto
Fugindo de sua cegueira

Diminui o alcance da visão
Amenizando barreiras... preconceitos
Deixa fluir a percepção
Novas ideias, novos conceitos

O que esconde o deserto da escuridão
Reflete no obscuro inconsciente
Mais do que a voz da razão
Os desejos se tornam urgentes



quarta-feira, 18 de abril de 2012

Comuns

Pudera eu unir sentimentos comuns
Em uma única palavra
Seu efeito seria devastador
Varrendo tudo de seu caminho
Até mesmo a dor

Isolados são gotas perdidas
Escapando sofridas de conturbadas emoções
Ao se unirem, sua força contida
Transformada em... novamente vida

Numa explosão iminente
Seu impacto avassalador
Fundindo corpo e mente
No calor do amor

quarta-feira, 11 de abril de 2012

Memória

Quando olho para minhas lembranças
És mais do que aquelas que guardo
Remonta às perdidas esperanças
De um passado que se foi... não mais me abalo

Ao resgatar somente a alegria
Daqueles tempos especiais
Não me rendo à nostalgia
O que foi... não será jamais

É melhor enxergar somente
Quando a luz lhe revela
Coloca sua visão em minha frente
E a ternura se desvela

sábado, 31 de março de 2012

O óbvio

Seria melhor que eu me calasse
Diante do óbvio
O silêncio sim, dignifica

Minhas palavras rasas
Não chegam aonde quero

Mas uma desobediência irracional
Não me deixa ficar mudo
Ou domar a empolgação

Então... clamo à causa dessa fascinação

Quero alcançar esse encanto
E toda vez que me atingir o pranto
Lembrarei do tanto
Que me acalenta essa lembrança

A melhor daquelas que um dia
Jamais esquecerei
E assim seu ardoroso fã
Eternamente a seguirei

Para sempre...
... mulher

Caos

Sem a mulher
Um perfume seria somente outro olor
As estrelas... luzes no céu
As flores alimento para o beija-flor

O luar seria somente a Lua refletindo o Sol
O coração uma bomba de sangue
O universo um lugar muito frio
E o pensamento um enorme vazio

A música alguns acordes desconexos
A poesia então... essa nem existiria
O sorriso somente os lábios entreabertos
E o oceano nunca terminaria

A chuva seriam gotas caindo do céu
E as lágrimas secariam
O mundo seria menor... bem pequeno
Sem essa dimensão
Sem essa percepção
Sem essa forma de viver

Não seria triste, no entanto
Não se saberia de onde vem a felicidade...

Não seria azul
Pois não haveria curiosidade
Nem razão para descobertas

Não haveriam presentes
Dá-los a quem?
Não haveria vontade

Se não houvesse a mulher
Inspiração para todas as realizações
Musa de todas as representações
Não haveria ninguém

Vendaval

Tenho certeza
De que a mulher é como o vento
Com seus braços abertos, suaves
Acariciando nossa face

Ora tão terno como uma pluma lentamente rumo ao chão
Ora de passagem como um trem que não para na estação

Refrescando o calor
E a mente
Trazendo novos ares
Renovando nossa pesada atmosfera

Pode chegar com a chuva
Fonte primordial da vida
Fazendo germinar novas ideias
E raízes que nos dão identidade

Regando os sonhos
Para que não morram secos

Pode ser um furacão
De origem incerta
Destruindo o conforto leviano
Causado pela estagnação

Provocando através de nossos próprios destroços
A renovação
A chance de nos reconhecermos

Sinto assim a mulher
De uma gentil brisa
A um estrondoso vendaval

Não se inquieta diante da insatisfação
Nem que para isso haja uma devastação
Em sua própria vida extirpando as mágoas
Para uma nova criação

Sem esse vento seríamos estáticos
As árvores não dançariam
Espalhando suas sementes
O solo sufocaria enterrado em seus próprios sedimentos
Os pássaros não sustentariam seu voo
As ondas do mar nem se levantariam
E o pensamento não se moveria
Em busca das questões que nos fazem vivos

Seríamos somente pessoas
E não almas vibrando
Procurando sua sintonia
A espera do vento
Que nos leve

Mulher

Não há ideias nem palavras
Em suas infinitas combinações
Que forneçam definições
Para o que tento e não consigo descrever

Como falar de algo
Que me deixa mudo
Como explicar aquilo
Que meus olhos não conseguem entender

O devaneio me assume
Será uma armadilha?
Como a flor... hipnotiza o inseto com seu mel
Usufrui de sua fraqueza

Nunca consegui comprovar
O doce sempre venceu

Meus pensamentos... tão ensaiados
Evaporam-se antes que eu consiga segurar algum
E o vazio... ah... o vazio
É instantaneamente preenchido
Pelo encantamento que cega a razão

Sou enganado por minha mente
Ao adentrar tamanha intensidade
Pobre mente
Atropelada por sua ingenuidade

Um só olhar já basta
Para demolir a convicção
Ou então o silêncio...
... mais alto que um trovão

O que mais posso fazer
Senão dedicar todas as minhas palavras
De antes e as que virão
Até as tristes
Meus olhares, meus sorrisos dispersos
Meus gestos, minha veneração

À existência desse ser
Que evoca com sua presença
Sentimentos inatingíveis pelo entendimento
E é melhor que os sejam
Para apenas apreciá-los
Pois já é tudo que basta...
... ser mulher

domingo, 25 de março de 2012

Vagando

Nesse todo, nesse tempo
Muito guardo para dizer, muito escapa
Gravando no papel as impressões que minha alma absorve
De tudo aquilo que consigo viver

Mas é só um pouco do que eu mesmo entendo
Procuro meu pensamento
A musa de meus anseios, todos
E a quem todas as palavras, mesmo as tristes
Assumem seu sentido

Meus olhares e desejos
Meus sorrisos hoje dispersos
Minha vaga empolgação

Me pergunto já sabendo as respostas
Como minha vida
As dúvidas, tantas... falam por si
Elas mesmas esclarecem meus medos

sábado, 17 de março de 2012

Minha casa

Se o tanto que acredito no amor
É o tamanho daquilo sinto
Então o que sinto é somente um fragmento
Daquilo em que acredito

Mas no amor não há medida
Nem comparação
É o que empurra a vida
Em alguma direção

Um desejo inexplicável
Um ardor repleto de esperança
Por uma busca incontrolável
Que a consciência não alcança

Então o deixo tomar minha alma
Usá-la como seu lar
E a cada suspiro em mim exala
Sua vontade de amar

domingo, 11 de março de 2012

Estrelas

Vejo as estrelas
Não confio nelas
Tão distantes inatingíveis
Sua luz encantadora não basta

Quero seu calor
Sua presença... intensidade

Quero enxergar a verdade
Pois quando a chama apaga
O que fica é eterno

segunda-feira, 5 de março de 2012

Somente

Amor, ah o amor
Sempre que o encontro me traz o calor
Às vezes só de passagem
Mesmo sem deixar uma imagem

Sua brisa que minha face acaricia
O arrastar envolvente
De sua mão macia
Afaga meu pensamento dormente

Desperta a emoção
E aquela sensação...
... estar contente
Apenas por tê-lo presente

... só... o amor...

quinta-feira, 1 de março de 2012

Confidente

Meu desabafo... a caneta
O papel confidente
Os olhos fechados meu consolo
Com um abraço em mente

Meus pensamentos
Secam com a tinta
Se transformam em pigmentos
Envelhecem de forma distinta

Não podem ser apagados
Sem deixar marcas
E quem sabe recuperados
De novo sejam desabafos

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Amor Só

Quero viver de amor
Mesmo que seja
Só em mim
Mesmo que os tormentos...
... do amor
Sejam a constante por vivê-lo

Quero o amor
Em cada partícula
Em cada ínfimo momento
Em cada volta que dou
Em cada novo descobrimento

Não cabe mais
O não amor
Em minha pequena vida
E se for sofrida
Que seja por amar

Que seja o exagero
Do amor que enxerga
Só o que quer
E aquilo que o cega
Então não existe
Não se vê

O Finito

Esperar acontecer
Sem razão
Deixar a vida morrer
Sem direção

É ignorar o sonho
Perder a esperança
Se ver tristonho
Envelhecer sem lembrança

Não é fácil caminhar
Desviar das pegadas
Desbravar
Criar novas estradas

Melhor percorrer
Nossa distância vivendo
Do que correr atrás do infinito
Morrendo

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Euforia

Quando me atinge essa sensação
Fico pequeno perto de mim
Caminho bem longe do chão
E meu sorriso não encontra o fim

Chego a me achar estranho
Parece que me acompanha uma luz
Então percebo que não tem tamanho
Essa leveza que me seduz

Tudo ao meu redor se transforma
Por instantes só o que sou existe
A emoção assume uma forma
Me tirando desse universo triste

Quem assim me enxerga
Me vê com alegria
Gravando em minha alma
Uma inexplicável e deliciosa euforia

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

A Chuva

Quem dera essa chuva
Virasse um furacão
Me obrigando a lhe envolver
Se aconchegando em meus anseios

Se pudesse lhe abraçar
Sentir seu perfume
Sufocar meus medos
Reprimidos no olhar

Não a deixaria voar
Sem que eu fosse lançado
Contra seu desejo
Entrando assim em seu pensamento

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Torrente

O amor é algo que flui
Como a água de uma mina cristalina
Vem das entranhas mais profundas
Onde são extirpadas suas toxinas

Nasce puro, leve cheio de frescor
Inicia seu caminho inocente
Até se transformar num caudaloso fervor
Seguindo uma direção e a corrente

Navegar nessas águas é imprudente
Mas nada me impedirá de mergulhar
Nem mesmo o risco de ser inconsequente
Ou me afogar

Então o melhor é ser levado
Por esse rio de destino duvidoso
Até onde suas águas se acalmam
E o amor deixa de ser perigoso

domingo, 5 de fevereiro de 2012

Derrotas

Na vida perdemos algumas batalhas pessoais
E a cada derrota ganhamos a leveza
De tê-las deixado para trás
Assumindo os erros

E assim continuarmos nossa saga
Sempre felizes apesar de tudo
Pois uma coisa é certa
Só perde quem luta

Estática

Sempre olho a mesma imagem
E essa imagem sempre muda
Ou será meu olhar que nunca é o mesmo
Apesar de ser eu o mesmo que vejo

Penso que tudo apesar de parado
Tem seu movimento
E tudo muda como meus olhos
A todo momento

E o momento transforma o que enxergo
Em algo que não percebo
Sempre vejo a mesma imagem
Pois ela existe em meu pensamento

sábado, 4 de fevereiro de 2012

A volta do vento

Sou afligido por um calor constante
Pois não sinto o vento
Insiste em ficar distante
Aprisionado pelo tempo

Não enxerga regra...
... numa rajada, está longe
Na outra, me pega
E nada mais responde

A razão, os sentidos
A consciência
As palavras os ouvidos
A inteligência

O cognitivo se disfarça
Por medo de ser tomado
E então rechaça
Mesmo sendo clamado

Vai e vem... o vento
Num balé angustiante
Quero estar ao relento
Quando passar galopante

Encontro

A beleza pode estar
Aonde não se espera
Ao menos aos olhares rasos
Que só enxergam o que a luz revela

Deixando fugir da visão
Aquilo que a escuridão silencia
Atrás da barreira da percepção
Ofuscada pela lâmina frágil da hipocrisia

A beleza mais bela
Não se mostra aos julgamentos
Nem padrões, é aquela
Sustendada por sentimentos

Se resguarda e assim
Cultiva inúmeros encantos
Tantos que não tem fim
O tempo para ouvir seus prantos

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Caleidoscópio

Ao girar minha visão
Vejo diferentes cores
Sinto outros perfumes
Descubro novos sabores

Dentro de um só sentimento
Aprisionado numa mente angular
Se alternando a todo momento
Sem sair de seu lugar

Girando em seu eixo
Assume formas impensáveis
Desorganizadas pelo desleixo
Dos pensamentos incontroláveis

E o acaso deixa a certeza
Nem tanta quanto a que vejo
De que espalhar a beleza
É mais do que despejo

domingo, 29 de janeiro de 2012

Hoje

Quando chega a noite
Me vejo de novo sozinho
A escuridão é um açoite
Tirando a esperança do caminho

Sempre somos e sempre seremos
Nada mais do que solidão
Entre tantos, somente a nós teremos
Nos fragmentos que restam da indecisão


É o que nos cabe nessa jornada
Seremos únicos para sempre
Aceitando ou não os desvios da estrada
Só podemos seguir em frente

sábado, 28 de janeiro de 2012

A Volta da Poesia

Onde anda a poesia
Que há pouco não aparece
Sumiu em plena luz do dia
Só percebe quem a conhece

Seus coloridos pensamentos
Fazem falta nesse mundo frio
Até mesmo seus tormentos
Conseguem preencher esse vazio

Fique a vontade poesia
Levante-se quando puder
Sei que nunca acabaria
Essa mensagem é para quando vier

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

A Revolta da Natureza

Quando olhei para trás e lhe vi
Não imaginei que seria a última vez
Que a olhava com o mesmo encanto de quando a descobri
Vagando distante no pensamento, e um eterno apaixonado me fez

Não percebi que as ondas estouravam raivosas
E o vento transtornado minha pele dilacerava
Foram as únicas testemunhas naquela manhã chuvosa
De um lindo amor que acabava

Nem eles se conformaram
Com tamanha desilusão
Então se armaram
Para fazer uma revolução

Causar um estrondo com o agitar das águas
Espalhar densas nuvens de areia para todo lado
A fim de não enxergar as mágoas
Ou escutar meu choro desolado

Seus esforços porém, foram em vão
Nem todas as forças juntas, da natureza
Poderiam salvar meu coração
Daquela explosão de tristeza

Seria mais fácil
O vento se incendiar
Toda a água secar
Do que me consolar

E mesmo que o oceano se esvaziasse
Minhas lágrimas, sem respeito
Em incessante busca pela liberdade
Encheriam de novo seu leito

Tantas vezes quantas tentei provar
Que o sentido da minha vida
Era lhe amar
Amor agora que se foi na despedida

domingo, 22 de janeiro de 2012

Agradecimento

Eu pensei que aquele vazio aberto em minha vida
Não teria fim... sim, eu pensei
Estava escuro, eu não encontrava saída
Na verdade, por um tempo, nem procurei

Preferi fechar os olhos, apesar da escuridão
Tentei não acreditar na verdade
Pensava não poder tirá-la do meu coração
Mas fui absorvido pela realidade

Ficava quieto no meu canto
Esperando o impossível acontecer
E para meu espanto...
... um dia deixei de querer

Veio o tempo
Muito mais do que realmente passou
Olhando para trás em busca de entendimento
Vi que a distância dissolveu o que ficou

Transformando em lembrança
Como num filme sem palavras o que vivi
Preenchendo o vazio com esperança
Então me agarrei ao mundo e saí

Não digo, porém, que esqueci o sentimento
Que tanto cultivei
Está em mim em cada movimento
Para mim sempre o terei

Não se pode fechar uma flor
Após seu desabrochar
Ou esquecer um amor
Depois de tanto amar

Esconder a beleza, qualquer que seja
É temer seus medos
Fugir de si mesma para que não veja
Seus próprios segredos

Se ninguém vê o belo
Então o belo não existe
E o que um dia foi singelo
Oprimido se torna triste

Apesar da dor que tive que conhecer
Deixo-lhe um recado
Mesmo ainda sem entender
Hoje digo... obrigado

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Esquecimento

... desde então procuro
As perguntas que esqueci de me fazer
Essa falta deixou um escuro
Manipulando o que eu não queria ver

Não questionar foi o mesmo que me ignorar
Desrespeitando tudo o que a vida me ofereceu
Simplesmente não dá para considerar
Suprimir aquilo que sou eu

As perguntas não respondidas são esclarecedoras
Deixam nossa alma viva
Abrem as portas opressoras
Nos mostram escolhas e alternativas

Exploram a mente deixando-a exposta
Instigam o pensamento, curam sua ferida
Um pergunta bem feita não precisa de resposta
Apenas ser seguida

Por isso corro atrás de minhas dúvidas incertas
Não para saná-las e pronto
Mas para seguí-las em seu caminho de descobertas
E quem sabe ir ao seu encontro

Tropeço no que perdi, a cada passo
Absorvo com meu suor
Junto meus pedaços
Para ser uma pessoa melhor

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Lágrimas

É tão difícil assim esquecer os receios
Dizer o que pensa à razão
Atropelar os bloqueios
Ser ultrapassada pela emoção

Tudo bem, é o medo de se conhecer
E quando se fecham os olhos, ao fraquejar
Não se ver...
... o único consolo... chorar

Pelo menos as lágrimas são honestas
Lhe roubam a verdade
Que escapa por frestas
Rasgadas na mediocridade

Derramam as palavras que não falou
Deixando um rastro de arrependimento
Escorrem o sofrimento de tudo o que guardou
E virou só mais um lamento

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

O Vento

Não tenho sido levado pelo vento
Por mais que ele passe por mim
Pode ser que eu não esteja atento
Pode ser que ele queira assim

Só fico observando sua dança
Seus suspiros, uivos e rodopios
Amenizando o calor da destemperança
Nem por isso extinguindo meus calafrios

Então o vento passa, se esconde
De vez em quando volta
De vez em quando vem de longe
Acariciando a minha porta

Só encontro uma tímida brisa breve
Que nem sequer alcança o que nem eu vejo
Quando espero um vendaval que me leve
Para me varrer de meu desejo

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

A Resposta da Natureza

O que é uma paisagem
Sem seus altos picos
Caindo em vastas planícies
Dobrando curvas no horizonte
Mergulhando nos profundos vales dos rios

Nos fazem alternar a visão
E também o pensamento
É isso que lhe dá identidade
Beleza

Suas várias nuances
Refrescam nosso olhar
Nos deixam curiosos
Exploradores de nós mesmos... o maior mistério

Sua aparência tranquila
Esconde a intensidade
Para quem se arriscar
Nesse mar de diversidade

domingo, 1 de janeiro de 2012

Alcançar

O que esperar do amor...
... nada
Amor não se cobra
Se sente
Não se promete
Entrega
Amor não chora
Comemora com lágrimas
Amor dói
Mas não mata
É verdade
Não dúvida
Amor não se espera
Se alcança