sábado, 31 de março de 2012

Vendaval

Tenho certeza
De que a mulher é como o vento
Com seus braços abertos, suaves
Acariciando nossa face

Ora tão terno como uma pluma lentamente rumo ao chão
Ora de passagem como um trem que não para na estação

Refrescando o calor
E a mente
Trazendo novos ares
Renovando nossa pesada atmosfera

Pode chegar com a chuva
Fonte primordial da vida
Fazendo germinar novas ideias
E raízes que nos dão identidade

Regando os sonhos
Para que não morram secos

Pode ser um furacão
De origem incerta
Destruindo o conforto leviano
Causado pela estagnação

Provocando através de nossos próprios destroços
A renovação
A chance de nos reconhecermos

Sinto assim a mulher
De uma gentil brisa
A um estrondoso vendaval

Não se inquieta diante da insatisfação
Nem que para isso haja uma devastação
Em sua própria vida extirpando as mágoas
Para uma nova criação

Sem esse vento seríamos estáticos
As árvores não dançariam
Espalhando suas sementes
O solo sufocaria enterrado em seus próprios sedimentos
Os pássaros não sustentariam seu voo
As ondas do mar nem se levantariam
E o pensamento não se moveria
Em busca das questões que nos fazem vivos

Seríamos somente pessoas
E não almas vibrando
Procurando sua sintonia
A espera do vento
Que nos leve

Um comentário:

  1. Lindíssimo...

    Só atentar para "As ondas do mar..." tá faltando um s ali. rs

    Bj

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