sábado, 31 de março de 2012

Mulher

Não há ideias nem palavras
Em suas infinitas combinações
Que forneçam definições
Para o que tento e não consigo descrever

Como falar de algo
Que me deixa mudo
Como explicar aquilo
Que meus olhos não conseguem entender

O devaneio me assume
Será uma armadilha?
Como a flor... hipnotiza o inseto com seu mel
Usufrui de sua fraqueza

Nunca consegui comprovar
O doce sempre venceu

Meus pensamentos... tão ensaiados
Evaporam-se antes que eu consiga segurar algum
E o vazio... ah... o vazio
É instantaneamente preenchido
Pelo encantamento que cega a razão

Sou enganado por minha mente
Ao adentrar tamanha intensidade
Pobre mente
Atropelada por sua ingenuidade

Um só olhar já basta
Para demolir a convicção
Ou então o silêncio...
... mais alto que um trovão

O que mais posso fazer
Senão dedicar todas as minhas palavras
De antes e as que virão
Até as tristes
Meus olhares, meus sorrisos dispersos
Meus gestos, minha veneração

À existência desse ser
Que evoca com sua presença
Sentimentos inatingíveis pelo entendimento
E é melhor que os sejam
Para apenas apreciá-los
Pois já é tudo que basta...
... ser mulher

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