sábado, 31 de março de 2012

O óbvio

Seria melhor que eu me calasse
Diante do óbvio
O silêncio sim, dignifica

Minhas palavras rasas
Não chegam aonde quero

Mas uma desobediência irracional
Não me deixa ficar mudo
Ou domar a empolgação

Então... clamo à causa dessa fascinação

Quero alcançar esse encanto
E toda vez que me atingir o pranto
Lembrarei do tanto
Que me acalenta essa lembrança

A melhor daquelas que um dia
Jamais esquecerei
E assim seu ardoroso fã
Eternamente a seguirei

Para sempre...
... mulher

Caos

Sem a mulher
Um perfume seria somente outro olor
As estrelas... luzes no céu
As flores alimento para o beija-flor

O luar seria somente a Lua refletindo o Sol
O coração uma bomba de sangue
O universo um lugar muito frio
E o pensamento um enorme vazio

A música alguns acordes desconexos
A poesia então... essa nem existiria
O sorriso somente os lábios entreabertos
E o oceano nunca terminaria

A chuva seriam gotas caindo do céu
E as lágrimas secariam
O mundo seria menor... bem pequeno
Sem essa dimensão
Sem essa percepção
Sem essa forma de viver

Não seria triste, no entanto
Não se saberia de onde vem a felicidade...

Não seria azul
Pois não haveria curiosidade
Nem razão para descobertas

Não haveriam presentes
Dá-los a quem?
Não haveria vontade

Se não houvesse a mulher
Inspiração para todas as realizações
Musa de todas as representações
Não haveria ninguém

Vendaval

Tenho certeza
De que a mulher é como o vento
Com seus braços abertos, suaves
Acariciando nossa face

Ora tão terno como uma pluma lentamente rumo ao chão
Ora de passagem como um trem que não para na estação

Refrescando o calor
E a mente
Trazendo novos ares
Renovando nossa pesada atmosfera

Pode chegar com a chuva
Fonte primordial da vida
Fazendo germinar novas ideias
E raízes que nos dão identidade

Regando os sonhos
Para que não morram secos

Pode ser um furacão
De origem incerta
Destruindo o conforto leviano
Causado pela estagnação

Provocando através de nossos próprios destroços
A renovação
A chance de nos reconhecermos

Sinto assim a mulher
De uma gentil brisa
A um estrondoso vendaval

Não se inquieta diante da insatisfação
Nem que para isso haja uma devastação
Em sua própria vida extirpando as mágoas
Para uma nova criação

Sem esse vento seríamos estáticos
As árvores não dançariam
Espalhando suas sementes
O solo sufocaria enterrado em seus próprios sedimentos
Os pássaros não sustentariam seu voo
As ondas do mar nem se levantariam
E o pensamento não se moveria
Em busca das questões que nos fazem vivos

Seríamos somente pessoas
E não almas vibrando
Procurando sua sintonia
A espera do vento
Que nos leve

Mulher

Não há ideias nem palavras
Em suas infinitas combinações
Que forneçam definições
Para o que tento e não consigo descrever

Como falar de algo
Que me deixa mudo
Como explicar aquilo
Que meus olhos não conseguem entender

O devaneio me assume
Será uma armadilha?
Como a flor... hipnotiza o inseto com seu mel
Usufrui de sua fraqueza

Nunca consegui comprovar
O doce sempre venceu

Meus pensamentos... tão ensaiados
Evaporam-se antes que eu consiga segurar algum
E o vazio... ah... o vazio
É instantaneamente preenchido
Pelo encantamento que cega a razão

Sou enganado por minha mente
Ao adentrar tamanha intensidade
Pobre mente
Atropelada por sua ingenuidade

Um só olhar já basta
Para demolir a convicção
Ou então o silêncio...
... mais alto que um trovão

O que mais posso fazer
Senão dedicar todas as minhas palavras
De antes e as que virão
Até as tristes
Meus olhares, meus sorrisos dispersos
Meus gestos, minha veneração

À existência desse ser
Que evoca com sua presença
Sentimentos inatingíveis pelo entendimento
E é melhor que os sejam
Para apenas apreciá-los
Pois já é tudo que basta...
... ser mulher

domingo, 25 de março de 2012

Vagando

Nesse todo, nesse tempo
Muito guardo para dizer, muito escapa
Gravando no papel as impressões que minha alma absorve
De tudo aquilo que consigo viver

Mas é só um pouco do que eu mesmo entendo
Procuro meu pensamento
A musa de meus anseios, todos
E a quem todas as palavras, mesmo as tristes
Assumem seu sentido

Meus olhares e desejos
Meus sorrisos hoje dispersos
Minha vaga empolgação

Me pergunto já sabendo as respostas
Como minha vida
As dúvidas, tantas... falam por si
Elas mesmas esclarecem meus medos

sábado, 17 de março de 2012

Minha casa

Se o tanto que acredito no amor
É o tamanho daquilo sinto
Então o que sinto é somente um fragmento
Daquilo em que acredito

Mas no amor não há medida
Nem comparação
É o que empurra a vida
Em alguma direção

Um desejo inexplicável
Um ardor repleto de esperança
Por uma busca incontrolável
Que a consciência não alcança

Então o deixo tomar minha alma
Usá-la como seu lar
E a cada suspiro em mim exala
Sua vontade de amar

domingo, 11 de março de 2012

Estrelas

Vejo as estrelas
Não confio nelas
Tão distantes inatingíveis
Sua luz encantadora não basta

Quero seu calor
Sua presença... intensidade

Quero enxergar a verdade
Pois quando a chama apaga
O que fica é eterno

segunda-feira, 5 de março de 2012

Somente

Amor, ah o amor
Sempre que o encontro me traz o calor
Às vezes só de passagem
Mesmo sem deixar uma imagem

Sua brisa que minha face acaricia
O arrastar envolvente
De sua mão macia
Afaga meu pensamento dormente

Desperta a emoção
E aquela sensação...
... estar contente
Apenas por tê-lo presente

... só... o amor...

quinta-feira, 1 de março de 2012

Confidente

Meu desabafo... a caneta
O papel confidente
Os olhos fechados meu consolo
Com um abraço em mente

Meus pensamentos
Secam com a tinta
Se transformam em pigmentos
Envelhecem de forma distinta

Não podem ser apagados
Sem deixar marcas
E quem sabe recuperados
De novo sejam desabafos