sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

A flauta

Sua eloquência parece mais loucura
Tons escondidos explodem num repente
Subvertem a mente à doçura
Embalam levemente

Seu brilho reflete aos olhos
Até daqueles sem querer
É tanto que a noite fica mais escura
É tanto que não dá para ver

Todos os sentidos em mutação
Transcendem o etéreo
Uma nova criação
Profusão de sentido e mistério

A cada nota uma surpresa
Toda beleza descoberta
A cada toque a nobreza
Estado de alerta

Sua bruta suavidade
Faz do ar melodia
Lapidando a sonoridade
Pura harmonia

quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

Entre

Se for entrar
Por favor abra bem a porta
Não deixa a cortina torta
Pois quero te ver bem

Quero que conheça todos os cantos
Mesmo os mais difíceis de chegar
Para depois não falar
Que não te apresentei

Quero que entre outro dia
Com a luz apagada
E alcance com a alma velada
O que não pode ver

Que caminhe na bagunça e na ordem
Seguindo o coração
E os obstáculos não importem
Não há barreira para a sensação

Quero que alcance
O que mais posso te dar
Nem sei como se chama
Essa vontade de amar

É como se fosse
A entrada florida
De uma estrada longa... comprida
Sem vida para terminar

Depois... pode deixar sim
A porta aberta
Pelo menos uma fresta
Para o amor respirar

Derrotas

Tentativas frustradas
Sonhos mal sonhados
Esperanças desperdiçadas
Amores mal amados

Amizades desfeitas
Oportunidades perdidas
Tristezas refeitas
Emoções iludidas

Atitudes mal tomadas
Pensamentos incertos
Certezas equivocadas
Sentimentos desertos

Inestimáveis experiências
Participar da vida
... vivências
... sempre uma saída

quarta-feira, 26 de novembro de 2014

Janela aberta

Não há nada mais fácil
Mais simples
Do que amar

Parece
Uma janela aberta
Nos convidando a debruçar

Ouvir uma doce voz
Ver um sorriso discreto
No cantinho da boca brotar

Ser acompanhado
Por olhos tímidos
Com medo bom de olhar

E uma vontade quente
De segurar aquelas mãos
Que não param de passear

Nada guarda no peito
O coração
Querendo pular

E se não estivermos apoiados
As pernas bambas
Não irão nos segurar

A respiração ofegante
Não é nervoso
É mais rápido sentir

O suave cheiro
Distribuindo pelo corpo
O cheiro de amar

Semente

Da terra úmida escondida
Luta pela vida
Mesmo no início... escura

Se desdobrando de seu conforto
Desbravando o desconhecido
No início frágil
Até um dia... fruto crescido

Entre intempéries e abalos
Reina altiva imponente
Para então distribuir
Semente

Ressaca

Palavras e mais palavras
Sentido indefinido
... jogadas

Tempestade de letras aleatórias
Ideias perdidas sem lógica
Mente difusa achada no caos

Transbordam dores agudas
Circunflexas ao redor
Sentenças injustificadas

Coram as faces
Vozes ditas sem retorno
Uma vez lançadas...

Delas se arrepender... não mais
Entendê-las...
Jamais...

terça-feira, 25 de novembro de 2014

Se...

Se as flores
E todas as suas cores
Entrassem em mim

Explodiriam o universo
Colorindo cada ponto
Cada rastro de luz

Perfumando os vazios
Do escuro sem fim

Correriam um momento
Mais... muito mais
Do que o tempo

Indo tão longe
Que não mais seriam
Flores... seriam... amores

terça-feira, 4 de novembro de 2014

O que será o amor

Pode ser um carinho
Um sorriso infinito
Pode ser de mansinho
Um verso bonito

Pode ser uma companhia
Uma longa conversa
Pode ser andar juntinho
Um abraço sem pressa

Pode ser só olhar
Um daqueles... de admirar
Pode ser um pensamento
Que dure todo momento

Pode ser uma flor na mão
Outra... no coração
Pode ser uma declaração
Uma vida de paixão

Pode ser a alegria
De te ver todo dia
Pode ser o desejo
De estar em seu beijo

Pode ser só a presença
Num momento de silêncio
Pode ser a compreensão
Quando não há explicação

Pode ser estar junto
Mesmo quando distante
Pode ser a voz que acalma
A alma hesitante

Pode ser o amor
A força do coração
Pode ser o amor
Só amor

segunda-feira, 3 de novembro de 2014

Dias chuvosos

Sempre gostei mais
Dos dias chuvosos
Aos ensolarados

Uns chamam...
... do que chamarem
Eu chamo... de eu

Tudo é necessário
Sol, chuva, vento
Eu

Me reconheço em qualquer tempo
Isso basta para o tempo
Não importar

Ao mesmo tempo
Me adapto ao tempo
Para o tempo não notar

Passo por ele
Deixando sim
Algo de mim

Mas trazendo comigo
O que só o tempo
Pode levar

terça-feira, 28 de outubro de 2014

Presente

É algo que vem
Não sei o quê
Fico buscando...
... tentando ver

Uma luz talvez...
... e toda luz que vejo
Meu desejo
É que seja a sua

Iluminando o caminho
O olhar disperso
O universo disconexo...
... seus mistérios

Deixa sua trilha iluminada
De luz perfumada
Por seu charme natural
Onde passa...

E nunca termina
Num rastro infinito
Tão doce, tão bonito
Que me fascina

terça-feira, 21 de outubro de 2014

Para um amor

Procuro uma paixão como aquela...
... quando todas as estrelas
Eram só uma
E o universo... meu

Quando o tempo corria, se adiantava
Para depois ficar parado... horas
Te vendo passar
E eu... ao teu lado

Quando o sorriso era todo dia
E todo dia era dia... e noite iluminada
Nada fazia o céu apagar
Ninguém fazia

Quando todas as flores sorriam
Por teus olhos de cor
Pela flor dos seus cabelos
Em ondas e esplendor

Quando se dobravam... as flores
Ainda injustiçadas
Pela beleza de quem as recebia
E de tristeza, choravam

Quando o Sol era fraco pálido
Um simples ponto distante
Ofegante tentando aparecer...
... nem se via

Quando o vento levante
Soprava incessante
Para o frescor de sua face
Nunca acabar

Quando o universo e tudo que existe
Se encerrar...
... ainda vou lembrar
Desse tempo....

sábado, 11 de outubro de 2014

Petrolina

Nem mesmo me conheceu
Como num sonho que tive

Um sonho
Em que seria minha
Árida brilhante

Seu calor aconchegante
Estalos crepitantes
Que ainda ouço

Se soubesse o que sou
Não me deixaria partir
Não sem voltar

Em suas águas
Rasas para o tanto de lágrimas
Que passou por meus olhos

Deixei minha melhor impressão

E o momento que te perdi
Foi marcado como teu solo
Duro... áspero...
E belo

quarta-feira, 8 de outubro de 2014

No meio das linhas

Às vezes é difícil
Ler as entrelinhas
Não sei se leio as entrelinhas
Ou aquilo que espero....
... esteja escrito nelas

Não existem
Lemos o que não vemos
As palavras que ordenamos
As que queremos

O sentido que damos
Às entrelinhas

quinta-feira, 18 de setembro de 2014

Luz

Sinto uma luz insuportável em mim, expandindo de meu peito de um modo que não consigo me ver.
Abre meus caminhos tão amplos que mesmo parado vou aonde nunca fui.
Sou um feixe uma faixa um foco dessa luz, distorcido da realidade por tanta força infinita...me expulsa de meu próprio ser... para ser.
Não sei de onde, nem como vai... vou... não sei... só consigo, impulsionado... ir....

domingo, 27 de julho de 2014

Ninguém

Como é triste
A tristeza de não amar ninguém

Meu peito reclama...
... e clama
Seu vazio

Como é triste só sonhar
E ver desperdiçar...
... o amar

Que de tão lindo
No sonho...
...perde-se na solidão

Se perde nos momentos de êxtase
Quando toda perfeição de amar
Não passa de ilusão

Como deve ser bom
Alguém a quem se queira amar...
... já nem lembro
Para chamar de linda
Para que a dor... finda
E traga de volta
Todo momento de esplendor

Alguém que não saia dos meus olhos
Nem no sonho
E que em meus sonhos
Seja meus olhos
Meu reflexo
Minha alma... repleta da sua... alma...

Estou cansado de não ter esse amor
Estou cansado de ter esse amor
Só em mim

Desse amor que não nasce
Desse amor que me engana
Desse... do sonho
Da carne, da alma
Tremor... sem febre
Dor sem dor
Sonho sem sono
Amor sem amor





domingo, 20 de julho de 2014

Quem somos

Por mais que o tempo renasça
Por mais voltas que a Terra passa
Não há quem faça
Mais te amar do que eu

Não há quem brilhe
Mais do que ti
Em meu céu

Não há alma que mais sorri
Doce mel

Pois és...
Tudo
És o todo
Que há em mim

quarta-feira, 2 de julho de 2014

O meu jardim

Tem uma flor
Se abrindo no meu jardim
Imagino, seja para mim

Pequena, por enquanto
Se abre com medo…
… encanto

Se esconde
Talvez do vento
Talvez… do tempo

Talvez… 
… no retrato
No canto

Canta o mundo
Meu mundo
O meu jardim



segunda-feira, 30 de junho de 2014

Ira

E o vento vem
Redimindo... ora não
O pensamento...

... e cai
Carrega de vez
A leva que te trouxe

E mesmo eterna sua ida
Que minha ira te persiga
Para saber o que sinto

E assim
Me extirpa sua raiva...
... eternamente 

quarta-feira, 26 de março de 2014

Ser


Não entendo esses seres
Esse ser
Esse entender

Nem espero
Saber
Não é para isso que existo

Não é por isso
Que existe
O entender

A isso devo
O existir
E tudo o que existe
À minha volta

O sentido que aponta
É viver ao seu redor
Apenas

A um desses existir
Meu coração pertence
Tão pequeno
Que até some
Do meu próprio peito

E quando vejo….
Não, não o vejo
Só sinto seu pulsar
Pequeno suspiro

Tomado pelo
Desterro de ser…
Tão pequeno

E assim consumido
Foge fugido
Corroído
Pelo próprio fel

Se esconde
Some
Corre cala...

...e cala

Em sua própria
Pequenez não cabe
Por não ser

Força


Qual sou eu no meio disso
Um coadjuvante
Mero assistente

Não outra coisa
No meio disso

Não vale mais falar, somente
Mas sim, aceitar
Que a semente é mais forte

Pois se ergue sem esperança
E balança sem dobrar